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O Médio Oriente no Inverno Árabe

BERLIM – Viajar abre a mente, diz o velho ditado. Isto é especialmente verdade para o Médio Oriente. Mas hoje em dia viajar para lá pode ser extremamente desorientador; na verdade, os desenvolvimentos que eram impossíveis de contemplar apenas há alguns meses estão agora a tornar-se realidade.

A revolta da juventude que começou em Tunes e no Cairo em 2010-2011 chegou ao fim (pelo menos por enquanto), se bem que a região tenha ficado alterada fundamentalmente devido a ela. A vitória da contra-revolução e da política do poder, como aconteceu no Egipto, só pareceu restaurar a velha ordem; as bases políticas do regime actual são simplesmente demasiado frágeis.

Igualmente notável foi a mudança permanente no eixo político-estratégico da região. O Irão, com as suas ambições nucleares e hegemónicas, é o centro actual, enquanto o centro antigo - o conflito entre israelitas e palestinos - foi marginalizado, dando origem permanentemente a novas alianças de interesses. A Arábia Saudita e Israel (que não têm relações diplomáticas formais) estão unidos contra o Irão - e contra a possibilidade de um desanuviamento entre os EUA e o Irão.

Ideologicamente, o conflito central entre o Irão e os seus vizinhos baseia-se no conflito sectário entre o Islão sunita e xiita. A devastadora guerra civil síria já está a ser travada ao longo destas linhas; ao darem sinais de um impasse militar e político, essas linhas podem tornar-se na base de uma divisão permanente do país, como aconteceu na Bósnia.