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O Dinamismo Frugal da Índia

NOVA DELI – A economia derrapante da Índia tem inspirado um sentimento de pessimismo e ruína em larga escala, mas esta crescente opinião negativa é despropositada A Índia ainda promete alguma esperança, mas, para compreender como, é necessário pôr de lado os indicadores macroeconómicos e ter em conta uma perspectiva micro. Por exemplo: se pesquisarmos no Google o termo "inovação frugal", os primeiros 20 resultados da pesquisa estarão relacionados com a Índia.

As empresas indianas reconheceram há muito as oportunidades resultantes de satisfazer uma procura anteriormente negligenciada na "base da pirâmide. As saquetas de champô tiveram a sua origem na Índia há mais de duas décadas, criando um mercado para um produto que permitiu às pessoas mais carenciadas o acesso a um artigo que antes não tinham capacidade para comprar. Os indianos que não tinham onde nem como poder comprar um frasco inteiro de champô por 100 rupias passaram a poder comprar uma saqueta por cinco rupias e que dava para uma ou duas utilizações.

Mas a liderança da Índia em termos de “inovação frugal” vai além da redução da dimensão: começa na identificação das necessidades dos consumidores pobres - o próprio termo é em si inovador (quem diria que os pobres poderiam ser consumidores?) - e prossegue desse ponto para trás. Em vez de complicar ou aperfeiçoar os seus produtos, os inovadores indianos simplificam-nos até ao mínimo imprescindível, tornando-os mais baratos, acessíveis, duradouros e eficazes.

Os indianos são líderes natos no que respeita a inovação frugal, estando fortemente empenhados no sistema jugaad de desenvolvimento de soluções improvisadas mas práticas, a partir de recursos limitados. O conceito jugaad transmite essencialmente um modo de vida, uma visão global que integra a qualidade de improvisar com os poucos recursos existentes para satisfazer as necessidades.