2

Tempestade democrática na Índia

NOVA DELI - Abril pode ser o mês mais cruel, mas, para os principais partidos políticos da Índia, este ano, Março foi bastante brutal. No dia 6 de Março, após uma “Super Terça-feira” ao estilo norte-americano, a Índia anunciou os resultados de cinco eleições das Assembleias do Estado, que confundiram pesquisadores, surpreenderam especialistas e abalaram o aparelho político complacente.

Nada decorreu conforme o guião. Era esperado que o Partido do Congresso chegasse ao poder em Punjab, onde a “anti-incumbência” crónica tem tradicionalmente impedido a reeleição de qualquer governo estadual. Em vez disso, o dirigente Shiromani Akali Dal venceu de forma convincente. Por outro lado, no estado nordestino de Manipur, o Partido do Congresso deveria ceder terreno aos críticos do seu primeiro-ministro de longa data, Okram Ibobi Singh, que, em vez disso, arrancou uma vitória esmagadora.

No paraíso turístico de Goa, o governo do Congresso deveria ser reeleito, mas foi trucidado por um Partido Bharatiya Janata (BJP) ressurgente. Enquanto isso, os dois partidos viram-se lado a lado no estado de Uttarakhand, sem alegarem uma maioria, embora o Partido do Congresso tenha sido fortemente favorecido nas sondagens.

Mas a maior surpresa foi no maior estado da Índia, Uttar Pradesh (com uma população de 200 milhões de habitantes), onde 402 legisladores foram eleitos para a sua enorme assembleia estatal. A actual primeira-ministra, Mayawati, cujo Partido Bahujan Samaj (BSP) obteve, anteriormente, a maioria absoluta por forjar uma “coligação do arco-íris”, constituída pelo seu círculo Dalit (antigamente “intocáveis”) e pelas castas mais altas, foi sumariamente destituída. Nenhum dos partidos nacionais, no entanto, beneficiou com o desaparecimento do BSP. O Partido do Congresso avançou com dificuldade para a linha de chegada com apenas 27 assentos, e o BJP esteve um pouco melhor. Em vez disso, um grupo local socialista, o Partido Samajwadi, ganhou uns convincentes 221 assentos.