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O Que o Irão Quer em 2014

TEERÃO – Durante a campanha para me tornar Presidente do Irão, prometi equilibrar o realismo com a prossecução dos ideais da República Islâmica – e ganhei o apoio dos eleitores Iranianos por uma grande margem. Em virtude do mandado popular que recebi, estou comprometido com a moderação e com o senso comum, que conduzem agora todas as políticas do meu governo. Esse compromisso levou directamente ao acordo internacional interino alcançado em Genebra sobre o programa nuclear do Irão. Continuará a guiar a nossa tomada de decisões em 2014.

Na verdade, em termos de política externa, o meu governo está a rejeitar as abordagens extremas. Procuramos relações diplomáticas eficazes e construtivas e um foco na construção da confiança mútua com os nossos vizinhos e com outros actores regionais e internacionais, permitindo-nos assim orientar a nossa política externa no sentido do desenvolvimento económico interno. Para este fim, trabalharemos para eliminar tensões nas nossas relações externas e para fortalecer os nossos laços, tanto com parceiros tradicionais como com novos parceiros. Isto requer obviamente uma construção de consensos e uma definição transparente de objectivos no país – processos que estão agora em curso.

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Embora evitemos a confrontação e o antagonismo, também prosseguiremos activamente os nossos interesses mais alargados. Mas, num mundo cada vez mais interligado e interdependente, os desafios só podem ser abordados através da interacção e da cooperação activa entre estados. Nenhum país – incluindo as grandes potências – pode abordar sozinho e de um modo eficaz os desafios que enfrenta.

Na verdade, o rápido “crescimento de recuperação” das economias emergentes e em desenvolvimento sugere que o seu peso económico agregado está prestes a ultrapassar o do mundo avançado. Os países actualmente emergentes e em desenvolvimento serão provavelmente responsáveis por quase 60% do PIB mundial em 2030, aumentando de cerca 40% em 2000, e permitindo-lhes desempenhar um papel muito maior no palco mundial.

Num período de transição como este, o Irão pode reforçar o seu papel global. A eleição deste ano, em que perto dos 75% dos eleitores inscritos participaram, mostrou como a nossa democracia religiosa está a amadurecer. A antiga cultura e civilização do Irão, a sua continuidade estatal prolongada, a sua posição geopolítica, a sua estabilidade social entre a turbulência regional, e a sua juventude instruída permitem-nos olhar para o futuro com confiança, e aspirar a assumir o papel global principal que o nosso povo merece – um papel que nenhum actor da política global pode ignorar.

Também estamos a reconsiderar como reconstruir e melhorar as nossas relações bilaterais e multilaterais com os países Europeus e Norte-Americanos baseando-nos no respeito mútuo. Isto requer o aligeiramento de tensões e a implementação de uma abordagem abrangente que inclua laços económicos.

Podemos começar por evitar quaisquer novas tensões entre o Irão e os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, procurar eliminar as tensões herdadas que continuam a inquinar as relações entre os nossos países. Embora não possamos ser capazes de esquecer a desconfiança e suspeita que assombraram o pensamento dos Iranianos sobre os governos dos EUA durante os últimos 60 anos, deveremos agora concentrar-nos no presente e olhar para o futuro. Isso significa elevar-nos sobre a política mesquinha e liderar, em vez de seguir, grupos de pressão nos nossos países respectivos.

Na nossa perspectiva, a cooperação em assuntos de mútuo interesse e preocupação também contribuiria para aligeirar tensões na nossa região. Isto significa contrariar aqueles que nos EUA e na nossa região procuram distrair a atenção internacional de assuntos em que estejam directamente envolvidos e evitar que o Irão melhore o seu estatuto regional. Ao diminuir as perspectivas para um acordo negociado permanente sobre o nosso programa nuclear, este comportamento aumenta a probabilidade da continuação do impasse Irão-EUA.

A nossa região está a lidar cada vez mais com o sectarismo, com inimizades entre grupos, e com novos potenciais terrenos férteis para o extremismo e terrorismo. Ao mesmo tempo, o uso recente de armas químicas na Síria poderá assombrar os povos da região por muitos anos. Acreditamos que, sob tais circunstâncias, uma voz de moderação na região poderá afectar o desenrolar dos acontecimentos de uma maneira construtiva e positiva.

Não há dúvida de que a turbulência nos países vizinhos afecta os interesses de muitos actores regionais e globais, que deverão agir concertadamente para garantir a estabilidade no longo prazo. O Irão, como principal potência regional, está completamente preparado para se dirigir nesta direcção, não poupando esforços para facilitar soluções. Por isso, aqueles que retratam o Irão como uma ameaça e assim procuram minar a sua credibilidade regional e global deveriam parar – no interesse da paz e da tranquilidade na região e para além dela.

Estou profundamente perturbado com a tragédia humanitária na Síria e com o enorme sofrimento que o povo Sírio suportou durante quase três anos. Representando um povo que conheceu o horror das armas químicas, o meu governo condenou veementemente o seu uso no conflito Sírio. Também me preocupa o facto de que partes do território Sírio se tenham tornado um terreno fértil para ideologias extremistas e pontos de encontro para terroristas, que são reminiscentes da situação na nossa fronteira oriental na década de 1990. Este é um assunto de preocupação também para muitos outros países, e encontrar uma solução política durável na Síria requer cooperação e esforços conjuntos.

Por isso estamos satisfeitos que a diplomacia de 2013 tenha prevalecido sobre as ameaças de intervenção militar na Síria. Devemos ter em conta este progresso e compreender que a Síria precisa urgentemente de esforços regionais e internacionais coordenados. Estamos prontos para contribuir para a paz e estabilidade na Síria, durante negociações sérias entre partes regionais e extra-regionais. Aqui, também, devemos evitar que as conversações se transformem num jogo de soma nula.

Isso não é menos verdadeiro do que o programa pacífico Iraniano de energia nuclear, que tem sido sujeito a enormes exageros nas recentes décadas. Desde o início da década de 1990, previsões sucessivas sobre quão perto o Irão estava de adquirir uma bomba nuclear provaram ser infundadas. Durante este período, alarmistas tentaram pintar o Irão como uma ameaça ao Médio Oriente e ao mundo.

Todos sabemos quem é o principal agitador, e que propósitos são servidos por exagerar este assunto. Também sabemos que esta pretensão flutua proporcionalmente à quantidade de pressão internacional para interromper a construção de colonatos e terminar a ocupação de terras Palestinianas. Estes falsos alarmes continuam, apesar das estimativas dos serviços de informação dos EUA que apontam que o Irão não decidiu construir uma arma nuclear.

De facto, comprometemo-nos a não trabalhar no sentido de desenvolver e produzir uma bomba nuclear. Como enunciado na fatwa emitida pelo Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei, acreditamos firmemente que o desenvolvimento, produção, armazenagem e uso de armas nucleares são contrários às normas Islâmicas. Nós nem sequer alguma vez contemplámos a opção de adquirir armas nucleares, porque acreditamos que tais armas podem debilitar os nossos interesses de segurança nacional; como resultado, não têm lugar na doutrina de segurança do Irão. Até a percepção de que o Irão possa desenvolver armas nucleares é prejudicial ao nosso interesse de segurança e nacional.

Durante a minha campanha presidencial, comprometi-me a fazer tudo ao meu alcance para chegar a uma resolução rápida do impasse sobre o nosso programa de energia nuclear. Para cumprir este compromisso e beneficiar da janela de oportunidade aberta pelas recentes eleições, o meu governo está preparado para tomar todas as medidas necessárias a procurar uma solução permanente aceitável. Após o acordo interino de Novembro, estamos prontos para continuar a trabalhar com os P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha) e com outros, com o objectivo de garantir a completa transparência do nosso programa nuclear.

A capacidade nuclear pacífica que atingimos será aplicada num enquadramento internacionalmente reconhecido de salvaguardas, e estará acessível à monitorização multilateral pela Agência Internacional de Energia Atómica, como tem sido o caso nos últimos anos. Deste modo, a comunidade internacional pode garantir a natureza exclusivamente pacifica do nosso programa nuclear. Nunca abdicaremos do nosso direito de beneficiar da energia nuclear; mas estamos prontos a trabalhar no sentido de remover qualquer ambiguidade e responder a qualquer questão razoável sobre o nosso programa.

A continuação da pressão, do braço de ferro, da intimidação, e das medidas destinadas a impedir o acesso dos Iranianos a toda uma gama de necessidades – da tecnologia aos medicamentos e produtos alimentares – só poderá envenenar a atmosfera e minar as condições necessárias ao progresso.

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Como mostrámos em 2013, o Irão está completamente preparado para se empenhar seriamente com a comunidade internacional e para negociar com os nossos interlocutores de boa-fé. Esperamos que também as nossas contrapartes estejam preparadas para retirar vantagens desta janela de oportunidade.

Traduzido do inglês por António Chagas