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A solidariedade climática global é impossível?

NOVA IORQUE – Apesar do burburinho em torno da acção climática na reunião deste ano do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, as actuais perspectivas ambientais do mundo são preocupantes. Existem três obstáculos: a negação das alterações climáticas, os aspectos económicos da redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e a política das medidas de atenuação, que tende a ser fortemente regressiva.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, as emissões globais de dióxido de carbono têm de ser reduzidas 45% relativamente aos níveis de 2010 até 2030, e depois inteiramente eliminadas até 2050, para termos uma probabilidade minimamente razoável de evitar o aquecimento global de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. “Precisamos de resultados rápidos”, alerta o Programa Ambiental das Nações Unidas no seu último Emissions Gap Report, “ou a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris deixará de estar ao nosso alcance”.

Isto é um eufemismo. Mesmo que se cumpram as Contribuições Nacionais Determinadas (CND) pelo acordo de Paris de 2015, as emissões em 2030 estarão 38% acima do nível em que deveriam estar. As temperaturas médias globais estarão encaminhadas para aumentar uns desastrosos 2,9 a 3,4 °C até 2100, com aumentos continuados subsequentes. Os objectivos das CND teriam de ser quase triplicados só para limitar o aquecimento nos 2 °C, e teriam de quintuplicar para alcançar a meta dos 1,5 °C.

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