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Jogadas de Alto Risco

CAMBRIDGE – Quem é suficientemente afortunado para viver no mundo desenvolvido preocupa-se com uma miríade de insignificantes – ou por vezes improváveis – perigos: agentes cancerígenos na comida, desastres aéreos, e assim por diante. Mas estamos menos seguros do que pensamos. Estamos em negação relativamente a cenários que poderiam causar tal devastação que até uma única ocorrência seria demasiada.

Muito se tem escrito acerca dos possíveis choques ecológicos provocados pelo impacto das crescentes exigências da população humana sobre a biosfera, e sobre as tensões sociais e políticas resultantes da escassez de recursos ou das alterações climáticas. Ainda mais preocupantes são os riscos negativos das novas e potentes tecnologias ciber, bio e nano: um punhado de indivíduos, por via do erro ou do terror, poderiam deflagrar um colapso social de um modo tão rápido que as respostas governamentais seriam esmagadas.

A era do “Antropoceno”, em que as principais ameaças globais são originadas pelos humanos e não pela natureza, tornaram-se especialmente perigosas com o desenvolvimento massivo das armas termonucleares. Durante a Guerra Fria, falsos alarmes e erros de cálculo por parte de ambas as superpotências eram ocorrências constantes, sendo que algumas representaram um sério risco de desencadear o Armagedão nuclear.

Aqueles que viveram ansiosamente a crise dos mísseis Cubanos teriam sido tomados pelo pânico se se tivessem apercebido de como o mundo esteve tão perto da catástrofe. Só mais tarde soubemos que o Presidente John F. Kennedy determinou a determinada altura as probabilidades da guerra nuclear como “algures entre de um para três e de igual para igual”. E só quando já se tinha reformado há muito é que o secretário da defesa de Kennedy, Robert McNamara, declarou abertamente que “escapámos por um fio a uma guerra nuclear sem nos termos apercebido. Não é nosso o mérito por lhe termos escapado – Khrushchev e Kennedy tiveram tanta sorte como sensatez.”