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Europa: O Desafio da Crise

BERLIM - Há cerca de 2.500 anos, o filósofo grego Heraclito concluiu que a guerra é o pai de todas as coisas. Poderia ter acrescentado que a crise é a mãe.

Felizmente, a guerra entre potências mundiais deixou de ser uma opção realista, devido à ameaça de destruição nuclear mútua. Mas as grandes crises internacionais, como a actual crise financeira mundial, permanecem - o que poderá não ser totalmente negativo.

Tal como na guerra, as crises alteram fundamentalmente o status quo, o que significa que criam uma oportunidade - sem a força destrutiva da guerra - de mudança que, em tempos normais, é quase impossível. Para se superar uma crise é necessário fazer coisas que anteriormente eram dificilmente concebíveis, para não dizer inviáveis.

Assim aconteceu com a União Europeia nos últimos três anos, uma vez que a crise financeira global não só abalou a Europa até aos alicerces, como também assumiu proporções que ameaçam a sua própria existência.