12

Será que a Europa precisa da Grã-Bretanha?

NOVA IORQUE – Muitas pessoas no Reino Unido acreditam que o seu país consegue viver muito bem fora da União Europeia. Os membros do Partido da Independência do Reino Unido acham, inclusive, que a Grã-Bretanha ficará bem melhor, bem como um número considerável de conservadores “eurocépticos”. Eles sonham com uma Grã-Bretanha tipo Singapura do Oeste, um núcleo de actividade comercial governado a partir da cidade de Londres.

É por isso que o primeiro-ministro, David Cameron, sentiu-se obrigado a oferecer ao povo britânico um referendo sobre uma pergunta simples: dentro ou fora da UE? Pessoalmente, Cameron não quer que a Grã-Bretanha saia da UE, mas ele sabe que alguma forma de consentimento democrático é necessária para os futuros governos britânicos resolverem a questão.

O ano do prometido referendo, 2017, está confortavelmente longe. Muitas coisas podem mudar durante esse período. Se a zona euro progredir, aquilo que os países que estão fora da zona euro fazem pode já não ter muita importância. Além disso, outros europeus podem acabar por concordar com Cameron, de que a união política cada vez mais estreita na Europa não é desejável - isto no caso de terem escolha, o que não é de forma alguma garantido.

Enquanto isso, há uma outra questão a ter em consideração: quantos europeus querem que a Grã-Bretanha permaneça na UE? A resposta depende, em parte, na nacionalidade. Os países mais pequenos do Norte, como a Holanda, querem por tradição que a Inglaterra faça parte da UE. Sem a Grã-Bretanha, eles serão comandados pela França e mais ainda pela Alemanha. E não obstante, à medida que as memórias da Segunda Guerra Mundial se desvanecem, cada vez mais pessoas na Holanda e na Escandinávia sentem-se satisfeitos por estarem sob a alçada poderosa da Alemanha.