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Morte por causas financeiras

PRINCETON – Com que rapidez as fortunas dos mercados emergentes desandaram. Até há bem pouco tempo, eram tidas como a salvação da economia mundial - os motores dinâmicos de crescimento que iriam dar conta do recado à medida que as economias dos Estados Unidos e da Europa estalejavam. Os economistas da Citigroup, McKinsey, PricewaterhouseCoopers e de outras empresas previam uma era de crescimento ampla e sustentada, da Ásia até à África.

Mas agora, a depressão dos mercados emergentes está de volta. A grande derrota que as moedas destes países sofreram quando a Reserva Federal dos EUA começou a apertar a política monetária é apenas o começo; para onde quer que olhemos, ao que parece, há problemas profundos.

A Argentina e a Venezuela ficaram sem truques políticos heterodoxos. O Brasil e a Índia precisam de novos modelos de crescimento. A Turquia e a Tailândia estão atolados em crises políticas que reflectem os conflitos internos que há muito fervem lentamente. Em África, a preocupação é a ascensão da falta de mudança estrutural e de industrialização. E a principal questão que preocupa a China é saber se o seu abrandamento económico irá ter uma aterragem suave ou violenta.

Esta não é a primeira vez que os países em desenvolvimento foram duramente atingidos por bruscas mudanças de humor nos mercados financeiros globais. A surpresa é o facto de estarmos surpreendidos. Os economistas, em particular, já deviam ter aprendido algumas lições fundamentais há muito tempo.