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Desactivar a máquina de pilhagem do Congo

WASHINGTON, D.C. – No mês passado, o governo belga devolveu um dente de ouro que fora arrancado da boca do primeiro primeiro-ministro eleito da República Democrática do Congo, Patrice Lumumba, há mais de 60 anos. Lumumba foi assassinado em 1961 por um pelotão de execução que dissolveu o seu corpo em ácido e que reteve o dente como um “troféu de caça”. Agora, o governo belga tem tentado avançar com reparações pelos crimes que a Bélgica infligiu ao povo congolês nos séculos XIX e XX.

Mas o papel da Bélgica é apenas uma parte desta história sórdida. A RDC é um exemplo de como a exploração económica transnacional e assente na cobiça pode continuar durante séculos. As empresas e os consumidores dos Estados Unidos e da Europa (e, mais recentemente, da China, Uganda e Ruanda) colheram benefícios enormes como resultado directo da tortura do povo congolês. Ao preparar a sua viagem à RDC em Agosto, o secretário de estado dos EUA, Antony Blinken, tem uma oportunidade para impedir que seja escrito mais um capítulo de exploração devastadora.

Este processo iniciou-se no fim do século XV, quando os portugueses desembarcaram no que era então conhecido como o Reino do Congo. Nos séculos seguintes, houve períodos em que cerca de um terço da população do Reino foi vendida no comércio transatlântico de escravos. Em última análise, o Reino do Congo foi responsável por um quarto das pessoas escravizadas nas plantações do Sul da América.

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