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Um pivô chinês?

NOVA DELI - Será que a China está, sob o governo do seu novo Presidente, Xi Jinping, a garantir o seu próprio pivô diplomático, paralelamente ao “pivô para a Ásia” dos Estados Unidos? As primeiras iniciativas internacionais significativas de Xi - tornando a Rússia na sua primeira visita oficial ao estrangeiro, seguida imediatamente pela sua participação na cimeira dos BRICS em África do Sul - sugerem que a China pode estar a tentar colocar as suas relações com os países emergentes mais poderosos do mundo, no mesmo nível da sua diplomacia com os EUA. Na verdade, esta possibilidade é apoiada pela recente declaração de Xi acerca das relações com a Índia, que ele designou de “uma das mais importantes relações bilaterais” para a China.

O interesse precoce de Xi nas relações entre a China e a Índia não é comum para um líder chinês. Ele enunciou uma plataforma com cinco pontos, um pouco como os “cinco princípios de coexistência pacífica” de Jawaharlal Nehru, implementada no Tratado Panchsheel de 1954 dos dois países.

Segundo a plataforma de Xi, até haver uma solução definitiva nas questões territoriais, os dois países deveriam cooperar para manterem a paz e a tranquilidade e evitarem que disputas fronteiriças afectem o relacionamento em geral. A China e a Índia deveriam manter estreitas comunicações estratégicas, a fim de manterem as relações bilaterais no “caminho certo”.

Além disso, os dois países deveriam aproveitar os pontos fortes comparativos de cada um e expandir a cooperação mutuamente benéfica em infra-estruturas, investimentos e em outras áreas; deveriam fortalecer os laços culturais para promoverem uma amizade em expansão; e reforçar a sua cooperação em fóruns multilaterais para salvaguardarem os direitos e interesses legítimos dos países em vias de desenvolvimento, no combate aos desafios globais. Por fim, eles deveriam harmonizar as principais preocupações de cada um.