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A história de duas crises na América Latina

CIDADE DO MÉXICO – Para quem é um optimista irremediável, os eventos que estão para acontecer na Venezuela e na Colômbia poderiam ser vistos como um prenúncio de um futuro melhor. Na Venezuela, a eleição presidencial de 7 de Outubro pode pôr fim a 14 anos de poder de Hugo Chávez, juntamente com a sua destruição sistemática da economia, medidas de controlo sobre os media e a interminável intromissão nos assuntos de outros países. Na Colômbia, as negociações de paz agendadas para 8 de Outubro na Noruega, entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e os guerrilheiros das FARC, pode pôr fim a 40 anos de guerra e derramamento de sangue.

Infelizmente, nenhum destes resultados é provável. Em ambos os casos, o que parece desejável parece altamente improvável.

Chávez participou directamente em quatro eleições venezuelanas: em 1998, quando foi eleito pela primeira vez; em 2004, quando a oposição forçou um referendo, em 2006, quando foi reeleito; e agora, ao mesmo tempo que recupera de um cancro e o país está no meio de uma crise de segurança pública que tornou Caracas numa das cidades mais perigosas do mundo. Chávez ganhou as três primeiras, e, por várias razões, parece preparado para ganhar novamente.

Para começar, Chávez é um militante formidável e tem à sua disposição todas as alavancas disponíveis do poder do Estado, desde o Conselho Eleitoral até à PDVSA, a companhia petrolífera nacional da Venezuela. Por muito hábil que Henrique Capriles Radonski, o candidato da oposição, possa ser, o campo de jogo é tão desnivelado que parece ter poucas hipóteses. Um exemplo: A população total da Venezuela cresceu 14% nos últimos 13 anos, mas os cadernos eleitorais tiveram uma subida repentina de 53%; os novos eleitores podem ser fantasmas, colombianos ou várias gerações de partidários chavistas que já estão registados para poderem votar, mesmo antes de terem nascido.