14

A Crise de que a Europa Necessita

BERKELEY – É difícil ser-se optimista em relação à Europa. No verão passado, uma disputa política entre a Alemanha e a Grécia, ameaçou destroçar a União Europeia. Os partidos políticos extremistas ganham terreno em vários países. A incursão na Ucrânia, no quintal da UE, pelo presidente Russo Vladimir Putin, fez da política externa e de segurança europeia uma espécie de piada.

Agora surge a crise dos refugiados. Os 28 Estados-Membros da UE discutem sobre a questão da distribuição de 120 mil refugiados, quando mais do triplo deste número atravessou o Mediterrâneo nos primeiros nove meses de 2015.

Os refugiados estão a chegar por via terrestre e marítima. A Alemanha prevê para este cerca de 1 milhão de pedidos de asilo. Será ridículo imaginar que os governos europeus poderão deportar, ou “repatriar”, diplomaticamente falando, qualquer fracção significativa destas chegadas. Tal como acontece com as bolas de borracha, vão voltar.

Também não existe qualquer acordo relativamente ao tratamento a dar a este fluxo humano. A Chanceler alemã, Angela Merkel, declarou inicialmente que o seu país tinha uma obrigação histórica de acolher refugiados, tendo posteriormente voltado atrás à luz das críticas políticas. A Hungria abriu as suas fronteiras na expectativa de que a maré humana seguisse para outros destinos, mas acabou por erguer barreiras de arame farpado quando se apercebeu da escassez de destinos receptivos. Os Estados-Membros da UE da Europa Oriental resistiram inicialmente à ideia de receber a sua quota-parte dos 120 mil refugiados. Contudo, à semelhança do braço-de-ferro diplomático exercido sobre a Grécia, acabaram por alinhar em função da sua dependência de transferências fiscais dos Estados-Membros mais ricos da UE.