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A industrialização da China e o seu descontentamento

TÓQUIO – Num momento em que se realiza, em Pequim, a Terceira Sessão Plenária do 18º Comité Central do Partido Comunista chinês, a China encontra-se numa encruzilhada. Ultimamente, o país tem crescido a um ritmo surpreendente; não há, na história, nenhum país que o possa igualar. Mas os desequilíbrios económicos da China são igualmente extraordinários. O país manteve o crescimento da produção investindo metade do PIB, embora nenhum país possa investir, de forma produtiva, mais de um terço do rendimento nacional durante um longo período de tempo. O consumo das famílias representa apenas um terço do PIB, enquanto, no que diz respeito a uma economia normal, este valor é de dois terços.

A este baixo nível de consumo associa-se uma desigualdade crescente - entre o campo e as cidades e entre as elites políticas e as massas. Os recém-licenciados, com aspirações crescentes, não conseguem encontrar os empregos que procuram e não aceitarão os trabalhos de operário fabril que lhes são propostos. A agitação social, visível nos blogues e nas manifestações espontâneas, está a aumentar.

Os líderes da China entendem bem tudo isto. Reconhecem a necessidade de reequilibrar a economia desde o investimento ao consumo e reconhecem que, para esse efeito, é necessário desenvolver o sector dos serviços, que inclui os bons empregos mais qualificados. Reconhecem igualmente a necessidade de construir uma rede de segurança social e de reforçar os direitos de propriedade na área rural.

Mas as autoridades chinesas receiam que a transição do investimento para o consumo e da produção para os serviços comprometa o ritmo de crescimento. Um menor investimento representará uma menor extensão de capital. A expansão do sector dos serviços, cuja produtividade é baixa, terá um efeito suspensivo para a produção acumulada. Além disso, se o ritmo de crescimento continuar a abrandar - a taxa anual já baixou de 10% para 7,5% - é natural que a agitação social aumente.