2

As escoras da última esperança

OSLO – com o regresso de Jeremy Stein ao seu posto académico em Harvard no final de Maio, o Conselho da Reserva Federal dos EUA perdeu o seu principal proponente da perspectiva de que a política monetária devia ser usada para se propender contra excessos financeiros.

A perspectiva de Stein, expressa num discurso no início desta Primavera, é a de que os bancos centrais deviam ser menos agressivos na sua busca pelo pleno emprego num ambiente de risco financeiro crescente. A sua posição é uma refutação da doutrina do antigo presidente da Fed, Alan Greenspan, de que o banco central não devia ajustar a política em resposta aos excessos do sector financeiro, mas sim, em vez disso, concentrar-se em reagir a quaisquer problemas que surjam posteriormente.

A questão é se a nova perspectiva de Stein se justifica. Em princípio, a resposta é simples. Se um banco central tiver duas metas políticas, então irá precisar de dois instrumentos: a política monetária para influenciar a procura agregada e a política reguladora para limitar os riscos financeiros.

Na prática, no entanto, a resposta é mais complicada, porque a questão tem vários componentes. O que deverão fazer os governantes monetários quando os reguladores forem susceptíveis de falhar? Deverão, especificamente, aumentar as taxas de juros? Para quais indicadores deverão olhar quando determinarem se os reguladores falharam no desempenho da sua parte? E será a política monetária um instrumento suficientemente subtil para abordar os riscos resultantes?