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Juros que dão prejuízo

BERKELEY – Duas das instituições económicas mais importantes do mundo, o Fundo Monetário Internacional e o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers, alertaram recentemente que a economia global pode estar a enfrentar um longo período de baixas taxas de juros. Por que é que isso é uma coisa má e o que é que se pode fazer em relação a isso?

Ajustadas pela inflação, as taxas de juros têm estado a cair há três décadas e o seu actual nível baixo incentiva os investidores, que procuram lucros, a correrem riscos adicionais. As baixas taxas de juros também deixam pouca margem de manobra aos bancos centrais para adoptarem uma política monetária menos rigorosa numa desaceleração, porque os juros nominais não podem cair abaixo de zero. E são sintomáticas de uma economia que está em baixo.

Identificar o problema, e não tanto determinar as soluções, requer diagnosticar as causas subjacentes. E aqui, infelizmente, os economistas não concordam. Alguns apontam para um aumento da poupança global, atribuível principalmente aos mercados emergentes com altas poupanças. Os leitores irão descobrir aqui ecos do “excesso de poupanças” argumento popularizado há quase uma década por pessoas semelhantes aos antigos presidentes da Reserva Federal dos EUA, Alan Greenspan e Ben Bernanke.