People's bank of China Zhang Peng/Getty Images

O infeliz aniversário da Ásia

AIX-EN-PROVENCE – Este mês assinala o 20º aniversário da crise financeira Asiática – ou, mais precisamente, do evento que desencadeou a crise: a desvalorização do baht tailandês. Embora estes aniversários não sejam propriamente motivo para comemoração, proporcionam pelo menos uma oportunidade de olharmos para trás e de examinarmos o que mudou – e, não menos importante, o que não mudou.

As causas da crise foram contestadas na altura, e permanecem controversas até hoje. Os observadores ocidentais atribuíram a culpa à falta de transparência dos países asiáticos e a uma relação demasiado próxima entre empresas e governos – aquilo que descreveram como “capitalismo de compadrio” (NdT: no original, crony capitalism). Por seu lado, os comentadores asiáticos culparam os fundos de investimentos especulativos, por desestabilizarem os mercados financeiros regionais, e o Fundo Monetário Internacional, por receitar um tratamento que quase matou o paciente.

Ambos os pontos de vista têm alguma validade. O balanço oficial do Banco da Tailândia exagerou extravagantemente as suas reservas disponíveis de moeda estrangeira, o que dificilmente constitui um exemplo de transparência financeira. Os especuladores estrangeiros apostaram activamente contra o baht, e os vendedores a descoberto (NdT: no original, short sellers) incluíram não só fundos especulativos, mas também bancos de investimento, nomeadamente um banco que simultaneamente aconselhava o governo tailandês quanto ao modo de defender a sua moeda. E quando aconselhou os países asiáticos quanto ao modo de gerir a crise, o FMI incorreu no erro (não pela última vez, note-se) da excessiva austeridade fiscal.

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