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A próxima Primavera da IA

LONDRES – A inteligência artificial (IA) está à nossa volta, e está a gerar entusiasmo sobre a maneira como poderá aumentar a prosperidade e transformar as nossas vidas de várias formas. Contudo, esta tecnologia também será provavelmente disruptiva. Por conseguinte, os legisladores e as empresas têm de tentar capturar o todo o valor do que a IA pode oferecer, ao mesmo tempo que evitam os riscos negativos.

A noção de IA existe há mais de meio século, e já vivemos antes períodos de entusiasmo, seguidos por grandes períodos de desilusão – os “Invernos da IA” – quando a tecnologia não cumpria as expectativas. Mas a recente evolução nos algoritmos e nas técnicas de IA, combinada com um enorme aumento do poder de computação e uma explosão na quantidade de dados disponíveis, tem promovido avanços significativos e tangíveis, que prometem gerar valor para as pessoas, para as empresas e para a sociedade no geral.

As empresas já estão a aplicar técnicas de IA nas vendas e no marketing para apresentar recomendações de produtos mais personalizadas a clientes individuais. E na indústria transformadora a IA está a melhorar a manutenção preventiva, ao aplicar a “aprendizagem profunda” a grandes volumes de dados provenientes de sensores. Ao utilizarem algoritmos para detectar anomalias, as empresas podem reduzir o tempo de inactividade da maquinaria e do equipamento, de motores a jacto a linhas de montagem. A nossa investigação salientou centenas desses exemplos de empresas, que conjuntamente têm potencial para criar um valor entre 3,5 e 5,8 biliões de dólares todos os anos.

A IA também pode contribuir para o crescimento económico através da ampliação e substituição do trabalho e do capital enquanto factores produtivos, através do incentivo à inovação, e através do reforço da criação de riqueza e do reinvestimento (a IA também criará algumas externalidades negativas e custos de transição, mas estes serão compensados pelos seus benefícios).

Estimamos que a IA e a análise de dados possam adicionar algo como 13 biliões de dólares à produção total até 2030, aumentando a taxa anual de crescimento do PIB global em mais de um ponto percentual. Além disso, a nossa investigação sugere que os benefícios da IA serão maximizados se esta se concentrar no crescimento liderado pela inovação, e se a sua difusão for acompanhada por medidas pró-activas de gestão – em especial, pela requalificação dos trabalhadores, de modo a que estes recebam as competências de que necessitam para prosperarem na nova era.

À medida que a IA contribuir para um crescimento mais rápido do PIB, o bem-estar social também deverá aumentar. Estimamos que a IA e as tecnologias conexas poderão melhorar o bem-estar em 0,5-1% por ano, entre hoje e 2030. Este impacto seria semelhante ao de anteriores vagas de adopção de tecnologia, nomeadamente ao da revolução das tecnologias de informação e de comunicação.

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A IA poderia ajudar a melhorar muitos aspectos do bem-estar, desde a segurança no emprego e as condições de vida até ao ensino e à sustentabilidade ambiental. A sua maior contribuição positiva para o bem-estar poderá aparecer nas áreas da saúde e da longevidade: a descoberta de medicamentos baseada na IA é várias vezes mais rápida do que a baseada na investigação convencional. E a gestão do trânsito baseada na IA pode reduzir o impacto negativo da poluição atmosférica sobre a saúde em 3 a 15%.

Um dos aspectos mais empolgantes da IA é o seu potencial para ajudar a resolver uma ampla gama de desafios sociais. Embora a tecnologia não seja uma panaceia, poderá ajudar o mundo a cumprir todos os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. As aplicações da IA que estão presentemente a ser testadas no terreno incluem esforços para apoiar iniciativas de assistência em catástrofes, para rastrear contrabandistas (incluindo traficantes de seres humanos), e para ajudar pessoas cegas a navegar o ambiente que as cerca. E um sistema de detecção de doenças baseado na IA consegue identificar o cancro da pele tão eficazmente como, ou mesmo melhor que os dermatologistas profissionais.

Porém, independentemente de todo o seu potencial, a IA também coloca desafios substanciais que precisam de ser enfrentados. As próprias tecnologias estão ainda numa fase inicial de desenvolvimento, e são necessárias mais evoluções para que sejam amplamente aplicáveis. E existem problemas consideráveis de disponibilidade de dados, que por sua vez afectam a qualidade dos modelos de IA.

Uma área crítica que suscita preocupações é o impacto da IA e da automação sobre o trabalho. Globalmente, esperamos que no futuro haja trabalho suficiente para todos, e que se criarão mais postos de trabalho do que os perdidos em consequência das novas tecnologias. Mas os legisladores precisarão de gerir as transições e desafios significativos decorrentes da adopção da IA aos níveis nacionais, regionais e locais.

No cenário de adopção mais rápida da automação, até 375 milhões de trabalhadores em todo o mundo terão de mudar de categoria ocupacional até 2030, e perto de 75 milhões serão afectados no cenário de adopção mediana. A natureza de quase todos os empregos será alterada, à medida que as pessoas interagirem mais proximamente com máquinas inteligentes no local de trabalho. Isso obrigará a novas competências, colocando as empresas e os legisladores perante o grande desafio de formar e requalificar completamente a mão-de-obra. E à medida que crescer a procura de empregos altamente qualificados, os trabalhadores com menos qualificações podem ser deixados para trás, provocando o aumento da desigualdade salarial e de rendimentos.

A difusão da IA também levantará questões éticas complicadas. Algumas destas questões estarão relacionadas com a utilização e a potencial utilização indevida da tecnologia, em áreas que vão das aplicações militares e de vigilância às redes sociais e à política. Os algoritmos e os dados utilizados na sua formação podem introduzir novos enviesamentos, ou perpetuar e institucionalizar os enviesamentos existentes. Outras preocupações críticas incluem a privacidade dos dados e a utilização de informações pessoais, a cibersegurança, e as “falsidades profundas” que podem ser usadas para manipular resultados eleitorais ou cometer fraudes em larga escala.

Apesar destes desafios, a IA pode gerar um valor enorme para todos nós, se os legisladores e as empresas agirem de forma rápida e inteligente para capturar todos os seus benefícios e mitigar os riscos inevitáveis. A muito aguardada “Primavera da IA” poderá estar finalmente a chegar, mas precisamos de estar preparados para gerir cuidadosamente o seu aparecimento.

Read more about the changing nature of value in the age of Big Data, artificial intelligence, and automation.

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  1. haass107_JUNG YEON-JEAFP via Getty Images_northkoreanuclearmissile Jung Yeon-Je/AFP via Getty Images

    The Coming Nuclear Crises

    Richard N. Haass

    We are entering a new and dangerous period in which nuclear competition or even use of nuclear weapons could again become the greatest threat to global stability. Less certain is whether today’s leaders are up to meeting this emerging challenge.

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