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A “Rotação” Desengonçada da América

NOVA DELI – A primeira viagem ao exterior do Presidente Barack Obama após vencer um segundo mandato realça a nova centralidade da Ásia relativamente à economia e segurança Americanas. Mas a viagem Asiática de Obama também sublinha a principal questão sobre a política Americana na região: Irá a “rotação” dos Estados Unidos para a Ásia adquirir um conteúdo estratégico concreto, ou continuará em larga medida um empacotar retórico de velhas políticas?

Os Estados Unidos, rápidos em capitalizar as preocupações regionais despoletadas pela assertividade cada vez mais musculada da China, fortaleceram os laços militares com os seus actuais aliados Asiáticos e forjaram relações de segurança com novos amigos. Mas o brilho arrebatado do retorno da América ao centro da ribalta Asiática obscureceu os desafios fulcrais da sua manutenção como a principal âncora de segurança face às ambições estratégicas da China.

Um desafio é a necessidade de suspender a erosão do poder relativo da América, que por sua vez requer uma abrangente renovação nacional, incluindo uma consolidação fiscal. Mas a necessidade de diminuir gastos também pode indicar a possibilidade de que os EUA sejam incapazes de financiar uma transferência militar para a região Ásia-Pacífico – ou, pior, que sejam forçados a economizar na região.

Sob Obama, os EUA cederam cada vez mais terreno à China, uma tendência alegadamente iniciada quando o governo Bush se começou a preocupar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Isto gerou dúvidas sobre a capacidade da América fornecer peso estratégico à sua “rotação” com a manutenção de um maior nível de compromisso na região Ásia-Pacífico, onde já mantém 320.000 efectivos. A transferência proposta de mais 2.500 Marines para a Austrália é em larga medida simbólica.