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A tempestade de dívidas crescente de África

CIDADE DO CABO – A crise da COVID-19 está a empurrar a África para um precipício financeiro. Os governos africanos estão sob pressão para continuarem a pagar os respetivos empréstimos externos, deixando-os com poucos recursos para enfrentar uma pandemia histórica e as suas consequências económicas. Sem apoio externo – nomeadamente, um congelamento abrangente dos pagamentos – algumas economias africanas irão colapsar sob o peso da dívida. O efeito dominó resultante pode colocar em perigo o desenvolvimento de todo o continente e prejudicar também os países mais ricos.

A resposta da comunidade internacional até agora tem sido confusa. A medida mais notável até ao momento – a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) do G20 para os países mais pobres do mundo – cobre apenas a dívida bilateral oficial. Mas 61% dos pagamentos do serviço da dívida dos países africanos incluídos na DSSI este ano irão para credores privados, detentores de títulos e credores multilaterais como o Banco Mundial. E, apesar das garantias do G20, alguns países que aderiram à DSSI foram posteriormente desvalorizados por agências de classificação mundiais.

O Banco Mundial desempenhou aqui um papel inútil. Apesar de o seu presidente, David Malpass, ter recentemente apelado por mais alívio da dívida e até mesmo levantado a possibilidade de um cancelamento, ele também resistiu aos apelos para o próprio Banco (um importante credor de África) congelar o pagamento das dívidas. Em vez disso, a instituição dominada pelos EUA parece mais interessada em marcar pontos políticos ao incitar o Banco de Desenvolvimento da China a aderir à iniciativa do G20, embora isso realmente afete apenas um país africano.

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