Saturday, October 25, 2014
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A Medição da Esperança

SEATTLE – A vida das pessoas mais pobres do mundo melhorou mais depressa nos últimos 15 anos do que alguma vez antes, e mesmo assim sou optimista e acredito que faremos ainda melhor nos próximos 15 anos. Afinal, o conhecimento humano está a aumentar. Podemos ver isto especificamente no desenvolvimento e nos custos cada vez menores de novas terapêuticas como os medicamentos para o VIH, e na criação de novas sementes que permitem aos agricultores mais pobres tornarem-se mais produtivos. Uma vez que estas ferramentas são inventadas, elas não desaparecem – apenas melhoram.

Os cépticos salientam as dificuldades que temos em fazer chegar as novas ferramentas às pessoas que delas precisam. É aqui que a inovação na medição do desempenho governamental e filantrópico faz uma grande diferença. Esse processo – determinar objectivos claros, escolher a abordagem correcta, e finalmente medir os resultados para se conseguir retorno e reajustar a abordagem de forma contínua – ajuda-nos a distribuir ferramentas e serviços a todos aqueles que deles beneficiarão.

É crítico inovar para que se reduzam os constrangimentos na distribuição. Seguindo há muito tempo o caminho da máquina a vapor, o progresso não está “condenado a ser raro e errático.” Podemos, na verdade, torná-lo um lugar-comum.

Embora seja um optimista, não sou cego em relação aos problemas que enfrentamos, ou aos desafios que teremos que ultrapassar para acelerar o progresso nos próximos 15 anos. Os dois desafios que mais me preocupam são a possibilidade de não conseguirmos angariar os fundos necessários para financiar projectos de saúde e de desenvolvimento, e que falhemos em concordar relativamente a objectivos claros para ajudar os mais pobres.

A boa notícia é que muitos dos países em vias de desenvolvimento têm economias em crescimento que lhes permitem dedicar mais recursos à ajuda das suas populações mais pobres. A Índia, por exemplo, está a tornar-se menos dependente da ajuda, e poderá vir a não precisar dela.

Alguns países, como o Reino Unido, a Noruega, a Suécia, a Coreia do Sul, e a Austrália, estão a aumentar os seus orçamentos para ajuda externa; outros, mesmo dadores tradicionalmente generosos como o Japão e a Holanda, têm diminuído os seus. A direcção de muitos países, onde se incluem os Estados Unidos, a França, a Alemanha, e o Canadá, não é clara.

Ainda assim, a ajuda é crítica. Permite que as pessoas nos países mais pobres consigam satisfazer as suas necessidades básicas. Financia a inovação na criação de novas ferramentas e serviços, e na sua distribuição. Infelizmente, os orçamentos destinados à ajuda são ameaçados pela debilidade fiscal em quase todos os países avançados. A não ser que os eleitores sejam informados sobre o impacto positivo provocado pela sua generosidade, focar-se-ão inevitavelmente em questões que lhes sejam mais próximas.

Uma simples história, verdadeira ou não, sobre uma pequena ajuda que tenha sido mal usada pode muitas vezes ensombrar todo o espectro. Imagine como se sentiria em relação aos investimentos na bolsa de valores, se cada artigo que lesse fosse apenas sobre acções com desempenhos sofríveis, sem notícia dos grandes sucessos.

Historicamente, a principal discussão sobre a ajuda tinha a ver com a totalidade de dinheiro investido. Mas, actualmente, ao medirmos indicadores como a mortalidade infantil com maior precisão, as pessoas conseguem entender o impacto que essa ajuda tem – e que significa a diferença entre, digamos, dar às pessoas acesso ao tratamento do VIH ou deixá-las morrer. Quando apresentada deste modo, a ajuda tem melhores hipóteses de se tornar uma prioridade.

Mas será que o mundo conseguirá um consenso relativamente a um claro conjunto de objectivos para os próximos 15 anos? As Nações Unidas já começaram a mapear novos objectivos para os anos seguintes à expiração, em 2015, dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Tal como com os ODMs, o próximo conjunto de objectivos pode ajudar a concertar os grupos que executam as acções, lembrar os eleitores daquilo que é apoiado pela sua generosidade, e permitir-nos ver onde estamos a progredir, em termos do progresso no desenvolvimento de soluções para os pobres.

O sucesso dos ODMs implica que existe muito interesse em expandi-los de modo a incluir um conjunto mais alargado de questões. Mas muitos dos potenciais novos objectivos revelam falta de apoio unânime, e a adição de um grande conjunto de novos objectivos – ou de objectivos que não sejam facilmente mensuráveis – poderá prejudicar a dinâmica actual.

Os ODMs eram coerentes porque se centraram em ajudar as pessoas mais pobres do mundo. Os grupos que precisavam de trabalhar em conjunto para atingi-los eram de fácil identificação, e podiam ser responsabilizados pela cooperação e pelo progresso. Quando a ONU chegar a acordo relativamente a outros objectivos importantes como a minoração das alterações climáticas, deveria reflectir se um conjunto diferente de intervenientes e um processo separado seriam a melhor solução para esses esforços.

O progresso que o mundo tem feito em ajudar os mais pobres nos últimos 15 anos é o tipo de história feliz que acontece a uma vida de cada vez, e não tem geralmente a mesma visibilidade que um grande revés, como o deflagrar de uma nova epidemia. De vez em quando, deveríamos dar um passo atrás e celebrar as realizações que se atingem quando se têm objectivos certos, vontade política necessária, ajuda generosa, e inovação nas ferramentas e na sua distribuição. Fazer isto tem aprofundado verdadeiramente o meu compromisso com esta tarefa.

Traduzido do inglês por António Chagas

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  1. Commentedgeorge sos

    the setback is the epidemic?...right.....blind to the facts .If the 1% wanted to stop poverty on earth ,all they had to do is redistribute wealth ,equally with all.But with the excuse that people are not ready to manage their lives,you will endlesly earn,on the account of the poor.stealing resources,"buying" ,investing in water reserves,or minerals,is the way to go people!!mine the earth till you get rid of all the dirt...then ,start living your lives on a planet that is no more a planet .....what are we talking about?hope for 15 years down the line ,when people around the world will be already dead from hunfer?already dead from war ts that the US and other big powers cause in order to steal some more resources ,and secure them.....or just to sell some more weapons,to fight unemployment back home.....
    spare us the philosip[hical conquest...you are rich,you want to keep what you got and you dont give a shit about the poor.Lets play now charity....

  2. CommentedKathy Holland

    All we have done is shift the poor from one country to another. Innovation and measurement of the opportunities that lift greater numbers of lives up will lead to prosperity. Democratizing the tax code, charitable giving, etc. so there is greater economic participation with the intent to correct, adjust the laws in support of enterprise and each nation's citizenry. All inclusive information data needs to be massaged to answer the critical questions no one appears to be willing to ask.....well I am willing.

  3. CommentedFemi Awoyinfa

    Certainly some remarkable progress has been made in the last fifteen years, especially in relation to the world's poor across some indicators. The next fifteen years are critical and success will rely heavily on the crafting of new MDG goals and political will both in the north and south as Gates has suggested.

  4. CommentedLeo Arouet

    Es muy difícil mantener esa esperanza cuando se coloca en una balanza la realidad de la voluntad política y el deteriorio acuciante de la situación de los más desfavorecidos...

  5. Commentedsk khalid ali

    good article overall..vission is clear to help poor worldwide..i think the axis of all evil usa-israil & their role in conspiracy in world politics should be check by un to calm world..& will help people to do their work normally...people will live peacefully..economy will bounce back

  6. CommentedEdward Ponderer

    These are beautiful sentiments, only Murphy's law tends to outrank such beautiful sentiments. For example, see here on the problems with Mr. Gates push for an end to Polio:

    http://www.nytimes.com/2011/02/01/health/01polio.html?ref=world&_r=0

    It is going to take a lot more than the teamwork smarts of individuals to take on Murphy. Its going to take a singular global Humanity, with mutual concern and responsibility matching the economic and cultural interdependence rapidly evolving from globalization.

    Try completely getting rid of the dandelions on your front lawn without the concern of everyone to protect their neighbors front lawn with equal ferocity.

  7. CommentedGodfrey Barborous

    This "goal-oriented" approach only serves the interests of corporations and governments.

    Give it up Gates -- and I don't mean all your money.

  8. CommentedFrank O'Callaghan

    Gates is right that we can make a better world. He is also right that innovation is a major motor of this. He does not mention the great issue of inequality. Reducing that will be the other great motor.

  9. CommentedZsolt Hermann

    Even if we share Mr. Gates's optimism based on the present, the future does not look so optimistic.
    The global crisis, the disappearing middle class, growing unemployment is creating a new generation of "poor" people, and youth without future prospects.
    The main problem is humanity's stubborn persistence of pushing on with a socio-economic system that is unsustainable.
    Very soon even today's generous donors will stop giving as they will have nothing to give from.
    Gazing optimistically beyond the horizon without knowing where we stand, and who we are only yields disappointment.
    Instead we should be looking down the ground, ahead of our feet and try to build a new, natural and thus sustainable global human system, adapted to today's global, interconnected world, one in which mutual responsibility, truly global cooperation and consideration will make today's charity projects obsolete.

  10. CommentedJ St. Clair

    trade is monetary...life's journey require money....of which is not that easy to obtain...therefore.....the "advantages" of life are questionable...

  11. CommentedJ St. Clair

    when framed this way....we can frame it this way too.....the market of making drugs..needs a market of takers of drugs....what would a market of making drugs do...without a market of takers of drugs......who is the greater of benefitors...is it about life...or is it about trade...

  12. CommentedAyse Tezcan

    I, too, am an optimist that things are moving in the right direction. Thanks to information dissemination, people in the developed world have an access to information about where their aid monies go. Consequently, the recipients are being required to be more accountable, which may eventually help reducing corruption in the recipient countries and mediator organizations.
    I also believe that advancements in technologies such use of smart phones in delivering health care will expedite reaching these MDGs sooner than expected as well as measuring the process and outcomes more accurately than ever before. The important challenge is now identify the communities' assets to remedy these needs for sustainable progress and prioritizing the delivery for optimum impact. On the process end, I am still cautiously watching the great fraction in social enterprise whether this many small organizations has any utility, or they are redundant and/or impede progress.

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