Friday, October 31, 2014
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O Evangelho do Crescimento

CAMBERRA/SEUL – Quase quatro anos após o início da crise financeira global, a economia mundial permanece frágil e o desemprego está inaceitavelmente elevado. Há cerca de 200 milhões de pessoas desempregadas em todo o mundo, incluindo cerca de 75 milhões de jovens. O crescimento está a enfraquecer em muitos países, o risco está a crescer, e a incerteza intensificou-se, principalmente devido aos acontecimentos na Europa. Apenas uma rápida e sustentada recuperação poderá impedir o aumento dos custos humanos da estagnação económica.

Quando o G-20 se reunir em Los Cabos, México, a 18 e 19 de Junho, o seu desafio será desviar a percepção pública, do pessimismo e da preocupação sobre o futuro, para uma mentalidade optimista de crescimento e estabilidade. Precisamos de acção resoluta para abordar a incerteza que confronta a economia global e de traçar um caminho no sentido da recuperação auto-sustentada e da criação de emprego.

Vemos dois elementos como necessários para uma estratégia desse tipo. Em primeiro lugar, precisamos de uma mensagem clara por parte da Europa – a fonte imediata da preocupação económica global – confirmando que está a seguir passos decisivos para estabilizar e fortalecer os seus bancos, e que está concentrada no restabelecimento do crescimento ao mesmo tempo que se compromete credivelmente com a consolidação fiscal. Um elemento crucial para restaurar a confiança na Europa é o acordo relativamente a um “roteiro” para a zona euro que apoie a sua união monetária com uma união fiscal e uma união bancária, que incluam supervisão e garantia de depósitos pan-Europeias.

É essencial que a Europa se mova rapidamente para assegurar que os seus bancos estão adequadamente capitalizados e suportados. A este respeito, saudamos a recente decisão da Espanha de procurar assistência financeira da União Europeia para a recapitalização exigível dos seus bancos. São necessários passos decisivos para salvaguardar a saúde do sector bancário, não apenas para reduzir alguns dos riscos que preocupam os mercados, mas também porque a saúde das instituições financeiras é vital para o crescimento económico.

A Europa deve ter planos credíveis de consolidação fiscal para restaurar a sustentabilidade da dívida, mas é também essencial que tenha uma estratégia de crescimento que inclua políticas dirigidas ao impulsionamento do investimento, libertando os mercados de produtos e de trabalho, desregulamentando os negócios, promovendo a competição, e desenvolvendo competências. Estas reformas, que deverão incluir uma integração institucional mais profunda, serão politicamente difíceis e os seus benefícios levarão tempo a tornar-se completamente aparentes; mas a definição de um caminho claro aumentará a confiança pública no crescimento a longo prazo e na cooperação da Europa.

Não subestimamos a magnitude das reformas que a Europa conseguiu nos anos recentes. Desde a reunião do G-20 em Cannes em Novembro passado, por exemplo, a Europa aumentou as suas barreiras de protecção financeira em 200 mil milhões de euros (252 mil milhões de dólares), reestruturou a dívida Grega, avançou no sentido de fortalecer os seus bancos e regulamentações bancárias, estabeleceu regras para a disciplina fiscal, e implementou uma gama de reformas nos mercados de trabalho e de produtos.

Mas a magnitude dos desafios que confrontam a Europa implica uma necessidade urgente de reformas muito mais decisivas. Estamos confiantes de que a Europa agirá conjuntamente para vencer estes desafios, e continuaremos a apoiar tais esforços, porque a estabilidade e o crescimento Europeus interessam a todos nós.

Em segundo lugar, precisamos de uma mensagem clara do G-20 de que todos os seus membros estão a aplicar políticas para um crescimento forte, sustentável, e equilibrado. Para ter significado, a mensagem deve ser apoiada com acção: os membros do G-20 devem demonstrar que as suas políticas são claramente dirigidas à restauração do crescimento económico e da criação de empregos, e que serão responsabilizados por respeitarem os seus compromissos na totalidade. E os líderes mundiais devem ser inequívocos quanto à resistência ao proteccionismo e à abertura comercial e ao investimento.

Em particular, acreditamos que um acordo internacional de facilitação de comércio é o passo correcto, porque reduziria os custos das exportações e importações e restauraria o alento à liberalização global do comércio. O G-20 deve demonstrar em Los Cabos que a reforma do Fundo Monetário Internacional continua. Isso significa que os países deverão cumprir o seu compromisso de aumentar os recursos do FMI em mais de 430 mil milhões de dólares, e que as quotizações e estrutura de gestão do Fundo devem reflectir as actuais mudanças globais na influência económica.

O crescimento económico e novos empregos são cruciais para melhorar agora as condições de vida das pessoas e para assegurar a prosperidade das gerações futuras. As reformas necessárias para assegurar estes objectivos não são fáceis, e a mudança não acontecerá de um dia para o outro. Mas o mundo espera que o G-20 cumpra.

Traduzido do Inglês por António Chagas

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  1. CommentedDavid Joseph Deutch

    Global trade liberalisation should not be seen as an end in itself. Economies are not one stop fixes and, as such, we should be wary of providing shared diagnoses for different countries with differing economies.

    Post financial crisis, we should be moving away from liberalisation as the only prerequisite for a prosperous economy. Therefore, countries should only enter into these sorts of international agreements if they are malleable to differing social needs.

  2. CommentedGary Marshall

    Here is a solution to the Greek problem and poor growth in general. If anyone can find the flaw, I shall be more than happy to give him or her $50,000. I am just tired of doing this.

    ####

    The costs of borrowing for a nation to fund public expenditures, if it borrows solely from its resident citizens and in the nation's currency, is nil.

    Why? Because if, in adding a financial debt to a community, one adds an equivalent financial asset, the aggregate finances of the community will not in any way be altered. This is simple reasoning confirmed by simple arithmetic.

    The community is the source of the government's funds. The government taxes the community to pay for public services provided by the government.

    Cost of public services is $10 million.

    Scenario 1: The government taxes $10 million.

    Community finances: minus $10 million from community bank accounts for government expenditures.
    No community government debt, no community government IOU.

    Scenario 2: The government borrows $10 million from solely community lenders at a certain interest rate.

    Community finances: minus $10 million from community bank accounts for government expenditures.
    Community government debt: $10 million;
    Community government bond: $10 million.

    At x years in the future: the asset held by the community (lenders) will be $10 million + y interest. The deferred liability claimed against the community (taxpayers) will be $10 million + y interest.

    The value of all community government debts when combined with all community government IOUs or bonds is zero for the community. It is the same $0 combined worth whether the community pays its taxes immediately or never pays them at all.

    So if a community borrows from its own citizens to fund worthy public expenditures rather than taxes those citizens, it will not alter the aggregate finances of the community or the wealth of the community any more than taxation would have. Adding a financial debt and an equivalent financial asset to a community will cause the elimination of both when summed.

    Whatever financial benefit taxation possesses is nullified by the fact that borrowing instead of taxation places no greater financial burden on the community.

    However, the costs of Taxation are immense. By ridding the nation of Taxation and instituting borrowing to fund public expenditures, the nation will shed all those costs of Taxation for the negligible fee of borrowing in the financial markets and the administration of public debt.

    Regards,
    Gary Marshall

  3. CommentedTristan de Inés

    Maybe policies and discussions about the future of the world should begin to accomodate the question of how to achieve social stability and high living standards -without- perpetual growth as sustenance. All the discussions about economy seem to narrow down into questions of how to achieve ever more "growth" like it was some universal antidote to solving all our economic problems. However in a world of limited resources perpetual growth is impossible, and unless we start investing heavily into unconventional methods of resource procurement, the signs of the supply bottlenecks that are already beginning to show, will accumulate.

    Another factor to consider is how much more growth our planet is able to sustain, without inflicting irreparable and irreversible damage. A threshold that unfortunately, we seem to have crossed already some time ago.

    Finally, the last thing to keep in mind is that growth is worse than useless if it completely bypasses the populace to only benefit a tiny percentage of wealthy elites. A trend that has been accelerated by globalization and is reflected in the sad statistics of the ever widening income gaps across the world. This kind of growth that promotes inequality, poverty, corruption, exploitation of human lives and natural resources, leads down a self destructive path of social instability.
    Artificial indicators like the GNP and growth rates are worthless as a representation of a society's well-being if the distribution of the generated value is warped and disproportional.
    It appalls me that the article calls for more deregulation and liberalization when it was precisely the turbo capitalism with its lack of regulations and checks that lead to the financial crisis in the first place.

    The fixation on growth is becoming a tiresome, uninspired, and increasingly aloof and obsolete way of approaching the social and economic challenges of the 21st century. And the economic problems we are experiencing right now were not caused by excessive regulations, but by the concentration of wealth and power on irresponsible and corrupt actors.

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