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O Caldeirão Egípcio

MADRID – À medida que os Egípcios esperavam tensamente pelos resultados das eleições presidenciais do seu país, uma linha de pessimismo percorria o discurso dos jovens e dos liberais seculares que derrubaram Hosni Mubarak em Janeiro de 2011. A sensação de “tudo é possível” da revolta da Praça Tahrir desvanecera-se, e agora dois candidatos a quem os manifestantes se opunham profundamente, Mohamed Morsi da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafiq, um factótum do antigo regime (e do actual governo militar), preparavam-se para se enfrentar numa segunda volta.

A tríade de forças fundamentais que conduzia o Egipto desde o início da Primavera Árabe – os militares, a mesquita, e as massas na Praça Tahrir, cada uma com diferentes tipos de poder e de interesses – fora assim quebrada. Aqueles que encheram a Praça Tahrir há 16 meses foram silenciados, e a esperada transferência de poder dos militares para um governo civil democrático foi posta em dúvida.