Friday, July 25, 2014
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Obama Opõe-se a Romney em Matéria de Emprego

BERKELEY – Os Estados Unidos completaram recentemente o seu terceiro ano de recuperação económica, mas a taxa de desemprego mantêm-se acima dos 8% e existem sinais preocupantes de abrandamento. Logo, não é de estranhar que o emprego mereça particular atenção na campanha presidencial - ou que os candidatos tenham ideias muito diferentes a respeito do seu crescimento.

No Outono passado, o presidente Obama propôs a Lei Americana de Criação de Emprego (American Jobs Act - AJA), um pacote de 450 mil milhões de dólares em medidas fiscais destinadas à criação de emprego. A AJA ascendia a cerca de 3% do PIB e estava destinada a produzir efeitos em 2012, promovendo o crescimento do emprego e garantindo a recuperação dos Estados Unidos face à maré económica negativa global. A maior parte das medidas da AJA contou com o apoio bipartidário no passado; cerca de 56% do custo total era composto por reduções nos impostos e o pacote seria financiado pelo plano a longo prazo de redução do défice.

Vários economistas independentes concluíram que o plano de Obama possibilitaria um aumento significativo do mercado de trabalho durante o período de 2012-2013. De facto, dois dos analistas mais conceituados previram que a AJA iria adicionar 1,3 a 1,9 milhões de postos de trabalhos em 2012 e mais de dois milhões até ao final de 2013. O apartidário Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO - Congressional Budget Office) - também concluiu que a maior parte das políticas da AJA ocupavam um lugar de destaque em termos de eficácia orçamental, sendo medidas através do número de postos de trabalho criados entre 2012-2013 por cada dólar orçamental.

A AJA foi objecto de obstrucionismo por parte dos Republicanos do Senado e pela Câmara dos Representantes, sob controlo republicano, que impediram igualmente que a Lei chegasse a votação. Mitt Romney, actual candidato republicano às presidenciais, atacou o plano, considerando-o como "um mero estímulo" que iria "lançar achas na fogueira" da recuperação. Em última análise, Obama, apoiado pelos votos a favor do seu plano, obteve uma vitória parcial para duas das políticas da AJA: um corte de um terço nos impostos sobre o rendimentos dos trabalhadores (tinha proposto metade) e o alargamento do período das prestações de desemprego em cerca de 60% do que tinha recomendado.

Mas o Congresso não aprovou o corte de 50% nas contribuições salariais pagas pelas entidades patronais - um desagravamento fiscal às empresas que no passado contava com a aprovação de muitos Republicanos e que é considerado eficaz em termos orçamentais. O Congresso também não aprovou os 30 mil milhões de dólares em subsídios federais aos estados que lhes permitiriam empregar cerca 135.000 professores, polícias e bombeiros, apesar do grande apoio dos eleitores. Estes subsídios, totalizando 130 mil milhões de dólares, ajudaram os estados - entre 2009 e 2011- a manter os serviços vitais e os funcionários públicos que os asseguram.

Romney opõe-se ao apoio financeiro federal aos estados, defendendo que "está na hora de fazer reduções na administração pública e ajudar o povo americano". Mas os professores, bombeiros e polícias são cidadãos americanos que ajudam outros cidadãos americanos. O emprego na administração pública está a sofrer a taxa mais rápida de decréscimo desde a década de 1940 e encontra-se hoje no mesmo nível que registava em 2006. Se o emprego na administração pública tivesse crescido durante os últimos três anos ao mesmo ritmo que o da população, como aconteceu durante a presidência de George W. Bush, a taxa de desemprego seria de cerca de 7% em vez dos 8,2%, devido aos cerca de 800.000 postos de trabalho adicionais.

De igual modo, o Congresso não aprovou a petição de Obama de 90 mil milhões de dólares adicionais para a construção de infraestruturas, que implicaria a criação de cerca de 400.000 postos de trabalho, apesar dos Estados Unidos terem pelo menos 1,1 biliões de dólares em necessidades infraestruturais não financiadas. Além disso, o investimento em infraestruturas não só cria postos de trabalho a curto prazo, como promove a competitividade a longo prazo.

Em suma, o Congresso deixou pelo menos um milhão de postos de trabalho em cima da mesa de negociações, mantendo os desempregados à mercê dos resultados das eleições de Novembro.

Entretanto, reagindo à pressão persistente da comunicação social, Romney revelou as suas políticas de criação de emprego a curto prazo. Não são convincentes. Romney afirma que garantirá para os Estados Unidos o aumento do número de postos de trabalho no sector da energia. Mas, apesar das indústrias petrolífera e do gás terem crescido desde 2007, o seu número de postos de trabalho é inferior a 200.000 e o efeito seria insignificante, mesmo que o número de postos de trabalho neste sector duplicasse.

E, enquanto Romney afirma que abriria novos mercados externos, Obama tem vindo a trabalhar exactamente nesse sentido, conseguindo a passagem de três importantes acordos comerciais e aumentando o apoio federal para as exportações norte americanas, que têm vindo a crescer a um ritmo duas vezes mais rápido do que o registado durante a recuperação da recessão de 2001. Além disso, a promessa de Romney de acusar a China, o terceiro maior mercado de exportação da América, de manipular a moeda e de impor pesados direitos aduaneiros sobre as importações chinesas, constituiria certamente um convite à retaliação, resultando num decréscimo das exportações norte americanas e do número de postos de trabalho.

Romney revogaria igualmente a "Obamacare" – a legislação sobre a reforma dos cuidados de saúde de 2010 - porque "está a causar nas pequenas empresas o receio de fazerem novas contratações". Mas as razões que suportam esta afirmação são escassas e anedóticas. Uma sondagem recente revelou que a maior parte das pequenas empresas apoia a reforma. A maior parte das empresas, grandes e pequenas, afirmam que a principal razão da não contratação de recursos é a procura insuficiente.

É igualmente pouco provável que a promessa de Romney de efectuar cortes imediatos de 5% sobre as despesas discricionárias federais conduza ao crescimento do emprego, segundo as suas afirmações. Quando uma economia regista uma taxa de desemprego elevada e uma fraca procura agregada, os cortes nas despesas têm um efeito restritivo. Romney admitiu este facto recentemente, reconhecendo que a "falésia fiscal" - o término das reduções de impostos da era de Bush no fim do corrente ano, em conjunto com os elevados cortes nas despesas já programados para entrarem em vigor - iria empurrar a economia para a recessão.

Por fim, para além de prolongar a aplicação das reduções de impostos da era de Bush, Romney promete uma redução geral de 20% nas taxas marginais de tributação e um corte significativo nos impostos sobre as sociedades, de forma a incentivar as empresas a aumentar a contratação. Apesar de se terem registado grandes cortes nas taxas marginais de tributação no início da administração Bush, o ritmo de crescimento do emprego entre 2000 e 2007 correspondeu a metade do registado nas três décadas anteriores.

Mesmo que as novas reduções nos impostos preconizadas por Romney fortalecessem o investimento e o crescimento a longo prazo (uma proposta discutível que depende da forma de financiamento), os seus efeitos a curto prazo seriam mínimos e poderiam implicar uma perda financeira significativa. De facto, estas reduções apresentam fracos resultados na medida de eficácia orçamental do Gabinete de Orçamento do Congresso.

As propostas de Obama para o aumento da criação de postos de trabalho são convincentes, enquanto as propostas de Romney teriam pouco ou nenhum efeito - e algumas poderiam mesmo piorar a situação. Os eleitores precisam de saber reconhecer a diferença.

Tradução: Teresa Bettencourt

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  1. CommentedAlexander Guerrero

    I wonder how can we be a little more consistent on this "The United States has just completed its third year of economic recovery, but the unemployment rate remains above 8%........". How can USA's economy or any other industrialized economy could be recovering with such high unemployment ?. We all know that numbers like those can be found in far less developed economies, particularly commodity producers countries where high rates of economic growth can in the long term survive with high unemployment rates.

  2. CommentedEdward Ponderer

    Point well stated Ms. Jones.

    In a movie version about the Manhattan Project, FDR uncertain what course to take asked to speak with Eleanor for a moment. He asked, "If Hitler had a bomb powerful enough to destroy all of London, what would he do." Without a moment's hesitation came the answer, "He'd use it."

    This may well have been mere dramatization -- but most certainly the sentiment was real. And in the present political climate, with the heat rising from Radical Islam per the Muslim Brotherhood, the situation is more real.

    [Per Egypt, one might ask -- would they kill an entire nation of many million if angry at a few independent citizens? Think what attacking an embassy and burning a flag represent, and the recent intelligence services warnings about attacks (presumably random) that might happen in the U.S.]

    If we are lucky, Iran would only use the treat of nuclear weapons to shield it from the US and the rest of the world to take aggressive actions with its army. But like with Egypt, it may not take much to light the fuse of a very big fire cracker. This is not a fourth of July that America would want to see.

    I was till recently, unemployed myself for 2 1/2 years. With all due respect to all the fraction of struggling former middle class bread winners that Mr. Obama has put back to part time minimum wage work at McDonald's, I was hoping that his foreign policy might have been better than his economic saavy. But its not being so is more frightening, because in a world with a nuclear Iran, things in all ways -- including economically -- could be so much worse.

    We need a world in which we all take mutual responsibility for each other -- it is our only chance out of the present morass of Humanity. But in the world of a nuclear Iran and growing Middle Eastern radicalism that Mr. Obama is leading us to, we'll have lost it.

  3. CommentedBrenda Jones

    Please, with all due respect, forget all this. The main question that should be addressed is the difference between each candidate's stand on Israel. Why? Because, with Iran's movement towards nuclear weapons capability and its determination to eradicate Israel, with the Syrian uprising, the rise of Islamic extremists in Turkey and Egypt, and with terrorists groups stockpiling more missiles, tensions in the Middle East are escalating to break point.

    And, if break point is reached, we could easily find ourselves in a global confrontation, a third world war. This would be more than horrific for obvious reasons.

    Obama is no lover of Israel and based on his record, I would have to conclude that he intends for Israel's destruction.

    In 2010, when Turkey issued a resolution in the UN Security Council to condemn Israel and then demand an investigation of the Gaza flotilla raid, Obama refused to veto it, saying and doing nothing.

    When the President of the PLO, Mahmoud Abbas, held a celebration in February of 2011 honoring the terrorist Dalal Mughrabi for murdering 37 Israeli's, the Obama administration said nothing. There was neither protest nor criticism.

    When in September of 2011, PLO Chairman Mahmoud Abbas delivered a fiery anti-Israel speech to the UN, denying that Jews have any historic connection to Israel and when he delivered that speech on PLO letterhead showing a map of Palestine with Israel erased, there was no criticism from Obama.

    By diplomatically and politically isolating Israel, by relating to Israel in a way that encourages Israel's enemies, Obama is putting the seal to Israel's destruction and perhaps ours as well since such is a very real threat to world peace.

      CommentedEdward Ponderer

      Point well stated Ms. Jones.

      In a movie version about the Manhattan Project, FDR uncertain what course to take asked to speak with Eleanor for a moment. He asked, "If Hitler had a bomb powerful enough to destroy all of London, what would he do." Without a moment's hesitation came the answer, "He'd use it."

      This may well have been mere dramatization -- but most certainly the sentiment was real. And in the present political climate, with the heat rising from Radical Islam per the Muslim Brotherhood, the situation is more real.

      [Per Egypt, one might ask -- would they kill an entire nation of many million if angry at a few independent citizens? Think what attacking an embassy and burning a flag represent, and the recent intelligence services warnings about attacks (presumably random) that might happen in the U.S.]

      If we are lucky, Iran would only use the treat of nuclear weapons to shield it from the US and the rest of the world to take aggressive actions with its army. But like with Egypt, it may not take much to light the fuse of a very big fire cracker. This is not a fourth of July that America would want to see.

      I was till recently, unemployed myself for 2 1/2 years. With all due respect to all the fraction of struggling former middle class bread winners that Mr. Obama has put back to part time minimum wage work at McDonald's, I was hoping that his foreign policy might have been better than his economic saavy. But its not being so is more frightening, because in a world with a nuclear Iran, things in all ways -- including economically -- could be so much worse.

      We need a world in which we all take mutual responsibility for each other -- it is our only chance out of the present morass of Humanity. But in the world of a nuclear Iran and growing Middle Eastern radicalism that Mr. Obama is leading us to, we'll have lost it.

  4. CommentedMichael Smith

    Her debate with Sir James Goldsmith on Charlie Rose which can be seen in entirety here http://video.google.com/videoplay?docid=5064665078176641728&hl=en# is all you ever need to know on the amazing benefits of global outsourcing and the wonderful brave new world we now find ourselves in now. If Sir James Goldsmith were alive to today to see his bold and sad predictions manifest to where we are at now. All you need to is watch and see the stark difference between a seasoned, vastly experienced business professional give stark predictions of our brave new world and an ivory tower Keynesian who is completely out of her league in he Socratic school of Debate.

  5. CommentedKen Fedio

    As one of the proponents of NAFTA who garnered the most attention I fail to see how anyone would take Tyson's commentary of job creation with any creedence. She was part of the cabal of economists who, during the Clinton years, opened the chicken coop to the nocturnals of Wall Street. Two decades of Globalization later, look around you. Worked out well for Mexicans and their clients like VW, though. Oh, and Canada too. Thanks Laura. Glad I don't share your citizenship.

  6. CommentedMelanie holzman

    One of the first initiatives by the Obama administration to create jobs AND promote a green policy was to buy functioning old cars and make them not functional. Every "poor" person I met was extremely distraught because the price of a car they could afford -- a used car -- doubled. That did not create jobs; it bankrolled dealers and salespeople.
    Next, the Solyndra bankruptcy. There was also another solar failure and, instead, of hiring American companies, Obama outsourced to Spain.
    No thanks on the job creation.
    No thanks to more police. It's the poor who end up in jail. California is going bankrupt because the cost per inmate is approximately 55K. The US has more people in prison by percentage than any other country in the world.
    No thanks to more teachers. They have turned into nannies rather than educators.
    No thanks to socialized healthcare. Deregulate. Push people to take better care of their own health.
    Absolutely, no thanks to more government. Cut it in half, please, as soon as possible.

      CommentedKen Fedio

      The real problem is failed economic policies foisted upon middle America by failed economists. The Age of the Economists turned middle America into a post-industrialist shell that is just now recovering from the carpet-bombing of off-shored industrialism led by the domestic forces of Globalization.

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